segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Antecipação

Depois de relutar por meses, miro o livro na estante do meu quarto. Está do jeito que eu deixei: meio escondido, quase o último da fileira, com sua capa vermelho sangue, ironicamente adequada para uma história que um dia me encantou, mas que hoje me faz sofrer.

Chego a passar os dedos por uma pequena seleção de livros em frente àquele. Outras leituras com as quais me envolvi anteriormente e que gosto de manter dormindo ao meu lado. Porém, desta vez não estou no quarto em busca de reencontros fáceis. Quero uma frase específica daquele livro dolorido. Uma linha perdida naquelas páginas que tenho evitado desde que o meu filho veio ao mundo – e trouxe com ele todas as incertezas incluídas no pacote de uma criança especial.

* * *

Não tenho a menor ideia do que acontece quando as energias do sol e da lua entram em oposição entre a nona e a terceira casas do meu signo. Não entendo porque isso determina que eu deva rever minhas convicções, usar roupas de cor roxa ou adotar como número da sorte justamente o 7 ou o 33. Meus miolos mais fracos até se divertem com as previsões dos astrólogos, mas minha massa cinzenta é mal humorada e acaba com a palhaçada antes que eu acredite que encontrarei um novo amor ou que uma catástrofe está prestes a acontecer.

Leio o horóscopo para rir. Não acredito que minha personalidade tenha sido moldada pela posição das estrelas no dia do meu nascimento. Nunca fiz mapa astral. Cigana, para mim, é fantasia de carnaval.

Porém, devo confessar que em alguma ruela pobre da minha alma reside um homem que desconfia da inexistência do acaso. É misticismo barato, eu sei, mas às vezes me pego pensando que podemos, sim, ter um caminho desenhado. Algumas coincidências parecem mais do que coincidências. E fico me perguntando se foi destino ou mero acaso.

Não tenho a resposta. Só sei que algum dos dois acionou os seus contatos para que eu entrasse numa livraria, poucos dias depois de descobrir que a minha mulher estava grávida, e me deparasse com um livro chamado O filho eterno.

Fiquei impressionado pela extensa lista de prêmios exibidos na capa. Descobri que se tratava do relato autobiográfico de um pai – o escritor Cristovão Tezza – sobre o nascimento do seu primeiro filho. Na dedicatória, havia um simples Para Ana, o mesmo nome da minha mulher. A história começava quando o autor tinha 28 anos. Eu havia acabado de fazer 29, mas àquela altura já estava completamente absorvido por tantas coincidências. Queria ler o livro ali mesmo, em pé, na livraria. Apenas um detalhe me freava: o filho do autor nasceu com Síndrome de Down.

A notícia da paternidade domestica até o mais bruto dos homens. Toma conta, muda as nossas ações e reações. Meus pensamentos estavam todos voltados para a saúde do meu filho e da minha esposa. A simples palavra síndrome me causou repulsa. Queria distância de qualquer assunto que, por azar ou superstição, pudesse atrair algum mal.

Devolvi o livro para a prateleira e voltei para casa. Achei que a leitura seria pesada demais para o período da gestação e poderia ter um impacto negativo em mim. Tentei esquecer, considerei algumas indicações para ler, mas a história do pai do menino com Down insistia em ecoar na minha cabeça. Como sempre, com vergonha de dar atenção para bobagens míticas, rolei na cama refletindo sobre acasos e destinos. Não era possível que eu tivesse parado precisamente em frente àquele livro sem nenhuma razão. Como uma vítima de hipnose, estava completamente rendido. No dia seguinte, retornei à livraria, peguei o livro e, antes que eu pudesse desistir, paguei.

* * *

Depois de relutar por meses, miro o livro na estante do meu quarto. Quando o li pela primeira vez, a vida ainda era simples. Devorei página por página, não conseguia parar de ler. Lembro de me emocionar com o sofrimento daquele homem. Ao mesmo tempo em que ele não escondia a indignação por ter um filho “retardado”, juntava forças para tolerar as idas aos médicos, dava um jeito de digerir as próprias frustrações e, apesar de toda a raiva e toda a dor, talvez por causa delas, finalmente encontrou a inspiração para deslanchar a sua carreira de escritor.

Meus olhos enchiam-se d’água. Eu lia com a distância e a pena de quem nunca passou por uma experiência parecida. E não imaginava, nem por um segundo, que estava lendo a exata descrição do que iria me acontecer. O autor foi meu vidente de araque. Acertou sem querer.

Apesar da síndrome do Antonio não ser Down, o luto dos pais, os sinais morfológicos e as terapias possíveis para qualquer desordem genética são incrivelmente semelhantes. Implantação baixa das orelhas, hipotonia, cardiopatia: os termos estavam todos no livro, mas não os memorizei. Cheguei à última página com o coração despedaçado, porém confiei na imunidade dos que pensam positivo. Se desviasse a cabeça daquilo, nada iria me acontecer.

Hoje, quase um ano depois do nascimento do Antonio, tive que fazer um esforço imenso para folhear o livro, em vez de jogá-lo pela janela. Logo nas primeiras linhas, vi que tudo tinha adquirido um novo sentido. Agora eu sei, pensei, o que ele quis dizer. Não achei a frase que estava buscando. Fui me perdendo no meio das páginas, lambendo as feridas da minha própria história.

Encontrei, porém, um trecho bem mais adequado a esse texto. Um poema que o autor escreveu antes do seu filho nascer e cujos versos dão a sensação de que ele anteviu o problema, de que viveu – como eu – algum tipo de antecipação inconsciente. O próprio escritor rejeita a poesia. Odeia a ideia de premonição mítica. Prefere o azar, o mero acaso, mesmo que isso torne tudo mais insuportável.

Entendo a revolta dele. Também senti raiva do gosto açucarado dos textos que escrevi enquanto esperava pelo meu filho. A chegada do Antonio foi um golpe brutal. O pai inocente e esperançoso que habitava em mim agonizou, entrou em coma profundo, mas conseguiu sobreviver. Nos dias difíceis, é ele quem junta os cacos, limpa o sangue e diz que a vida é assim mesmo, só nos resta continuar a viver. Quanto ao acaso e ao destino, resolvi tirar proveito deles. Se eu não tivesse o Antonio, nunca teria tanta inspiração para escrever.



Segue o poema retirado do livro O filho eterno, de Cristovão Tezza:


“Nada do que não foi
poderia ter sido.
Não há outro tempo
sobre esse tempo.

Amanhã e amanhã
é uma escada curva.
Ninguém abre a porta
ainda em modelo.
Hoje ouvimos os ratos
roendo o outro lado.
Ninguém chegou lá,
porque hoje é aqui.

Mas o sonho insiste
o sonho transporta
o sonho desenha
uma escada reta.

Quando cortas o pão
o depois-de-amanhã
não te interessa.
Mesmo que sabes:
todas as forças
estão reunidas
para que o dia amanheça.”


Curiosidade (ou acaso, ou ironia do destino): momentos depois que escrevi este texto, fui jantar na casa da minha mãe. Sem ter ideia do que eu andava escrevendo, uma das minhas irmãs se aproximou de mim e disse: passei numa livraria e encomendei um livro para você. Ganha um doce quem adivinhar qual era o título.

85 comentários:

  1. Já pensou também que os anjinhos de Deus estão por toda a parte te protegendo, te guiando e te auxiliando? É só nisso que acredito e penso quando alguma "coincidência" me acontece! Fiquem com Deus! bjos Lu Chaves

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  2. Já pensei, sim, Lu. E acredito. Um beijo

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  3. Juntar os cacos no chão e recomeçar todo dia, sabendo que eles serão quebrados de novo só é possível aos corajosos. Daqueles que topam refazer o caminho, mesmo sabendo que os cacos voltarão, invejo um pouco... Por isso venho aqui toda segunda-feira pra roubar um pouquinho dessa coragem de vcs pra continuar a vida. Esse Antonio é um gênio. Nos ensina tanta coisa, né?

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  4. Camilla, ele já é de longe, o meu maior professor. Um beijo

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  5. O Antonio ainda não te ensinou um milésimo do que ele irá ensinar! Tenha uma única certeza, ele te fará uma pessoa melhor...

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  6. Edrisse, no momento, acredito que esta é uma das minhas únicas certezas. Que bom revê-lo aqui. Abraço

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  7. Nego, você sempre foi um dos alunos mais fantásticos que já tive, não imaginava realmente, era que seria um dos melhores professores de vida também!
    Grande abraço a você e Ana, um beijo bem molhado e afetuoso no Antonio.
    Vocês são a diferença Fábio!
    Renato Mader

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  8. Professor Mader, que honra um elogio desses. Emocionante. Um grande abraço.

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  9. Repito as palavras do Renato: muito bom toda segunda aprender um pouco mais com seus textos! E cada foto do Antonio na praia, além de vontade de apertar, fica um sentimento de querer aprender ainda mais com ele e com o pai dele!

    PS: Além da minha eterna babação por aqui, você não tem idéia de quantos comentários elogiosos tenho recebido pelos seus textos! Todos, assim como eu, rendidos a sua poesia! Keep on going! Minha leitura preferida de todas as segundas! :)

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  10. Que bom meu velho. Você também é um dos leitores preferidos do Antonio e do pai dele.

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  11. Curiosamente, esta manhã estava lendo algo sobre um livro e me lembrei de você, do Antonio e do blog. E, quando acabei de ler o texto de hoje, percebi que minha lembrança não havia sido em vão. A crônica comentava sobre um livro intitulado "Para Francisco", da mãe e escritora Cristiana Guerra. O livro reúne as cartas escritas pela autora após o grande conflito entre felicidade e tristeza, vivido durante sua gravidez: a morte do seu marido enquanto esperava a chegada de seu filho, Francisco. Como não sabia o que dizer a ele sobre seu pai, ela escreveu cartas a seu filho contando sobre seus momentos ao lado do homem que amava, seu companheiro, o pai de Francisco.
    Instintivamente, lembrei de vocês, dos textos e da possibilidade: "Para Antonio", talvez?
    Muitas vezes, a dor de uma perda - seja de uma pessoa querida ou momentaneamente da esperança - é seguida de uma benção que preenche qualquer espaço vazio. E, lendo cada comentário, vejo que não preenche somente as suas lacunas, mas as de todos nós.
    Parabéns! Bjos, querido!

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  12. Paula, ainda quero ler este livro. Já ouvi falar dele, já acessei o blog (que parece estar sendo atualizado raramente hoje em dia), apenas ainda não comprei. Quanto às lacunas, o apoio e carinho dos amigos têm ajudado a preencher as nossas também. Um beijo

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  13. Fabio, também já virou hábito vir ler seus novos textos às segundas-feiras. Leio com olhos molhados e coração tocado pela força e leveza de suas palavras. É uma aula de vida, como tantos já afirmaram aqui. O Antonio também tem sido o nosso grande professor, porque nos ensina muita coisa, como a Camila disse. Beijos e saudades!

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  14. Oi Fábio, não acredito em coincidências. Acho que tudo acontece como um complemento. Como o sujeito precisa de um verbo e o verbo de um predicado e por aí vai. Até formarmos uma oração que faça sentido, um texto interessante, um livro útil. As coisas vão acontecendo com o propósito de passarmos algo para alguém, comunicarmos algo a quem quer que seja, mudarmos pensamentos, rompermos barreiras, ajudarmos pessoas. O lado espiritual também me diz isso. Em Jeremias 18.6 pode-se ler: "Como o barro que está nas mãos do oleiro assim são vocês nas minhas mãos". Acredito ser um vaso de barro que está sendo moldado para se tornar melhor. A vida ao lado do Gabriel é um instrumento. Sei que o apertar de Deus às vezes é tão dolorido, sofrido, mas quando sinto isso, recorro a esse versículo e vejo que o que virá depois será algo melhor, um vaso e uma pessoa melhor. Não tenho dúvidas quanto a isso na sua vida. Um dos frutos desse apertar é a capacidade de levar seus leitores assíduos a refletirem sobre assuntos antes nem pensados. É muito bom ler seus textos e me identificar e melhor ainda, ver nossos sentimentos (mesmo que em situações diferentes) serem traduzidos de um forma singela e tão bela. Não se esqueça que o oleiro primeiro trabalha em nós para depois trabalhar através de nós e Ele trabalha diariamente em nossas vidas. Um beijo e fique em paz.

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  15. Mimi, estamos contando os minutos para a sua chegada. Aí matamos as saudades e contamos todas as novidades. Assim como no About a Boy, a escolha da segunda foi um acerto. É confortável para mim, que escrevo aos finais de semana, e para quem gosta de ler o blog, que sabe quando tem coisa nova para ver. Um beijo.

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  16. Érica, linda a parábola do oleiro. Vou procurá-la na bíblia. Tenho um projeto de ler a bíblia por completo, como literatura, mas também como alimento espiritual. Não dá mais para adiá-lo. E fico imensamente feliz quando você e o Gustavo dizem que se identificam. Ainda vou escrever sobre isso: os sentimentos parecidos de quaisquer pais de crianças especiais. Um beijo

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  17. Fábio, assim como você (coincidência?), fui arrebatada por um livro quando estava começando a cogitar a ideia de engravidar e graças a ele freiei meu desejo por quase um ano - hoje vejo o quanto foi importante! O livro chama-se "Precisamos falar sobre o Kevin"... enfim, obra do acaso ou não, só sei que agora que sou mãe acredito profundamente em fadas, bruxas e faunos. Sugestão de filme: "O Labirinto do Fauno) - não assista num dia que estiver muito feliz, nem num dia que estiver muito triste! Adorei o texto. Bjos,
    Marcela

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  18. Marcela, lerei o Precisamos Falar sobre Kevin e assistirei o Labirinto do Fauno. Que bom que gostou do texto. Um beijo

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  19. É isso aí amigo!! Nada acontece por acaso nesta vida, td tem seu sentido e mérito. Tire a maior lição q este momento vem trazendo para sua vida: O AMOR INCONDICIONAL. Independente de quem seja ou o q seja nossos filhos, os amaremos da mesma forma, pq é esse amor q nos ensina cada dia o valor da vida.
    Bjs e muita paz para vcs
    Lena

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  20. Fábio, obrigada pelas segundas-feiras! Um beijo.

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  21. Fábio,

    O meu comentário hoje é sobre os comentários aos seus textos!

    É impressionante como eles complementam e enriquecem tudo o que você escreve. Trazem informações importantes, percepções interessantes e sentimentos admiráveis. Não é a toa que eles tem se tornado de leitura obrigatória também! Especificamente em relação ao texto de hoje, dentre vários pontos de vista que concordo, destaco os seguintes:

    “Um dos frutos desse apertar é a capacidade de levar seus leitores assíduos a refletirem sobre assuntos antes nem pensados” Érica Souza.

    e

    “E, lendo cada comentário, vejo que não preenche somente as suas lacunas, mas as de todos nós”. Paula Corrêa

    Beijo em todos.

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  22. Ana, de nada. Obrigado por vir aqui. Um beijo

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  23. Nanda, não poderia concordar mais. Os comentários são praticamente novos posts. Também espero ansiosamente por eles todas as segundas. Um beijo

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  24. Este comentário foi removido pelo autor.

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  25. Fábio, é interessante como as coisas acontecem. Não lembro de um sinal específico que tentasse delatar antecipadamente as peculiaridades do Gabriel mas sempre que pensava nele me vinha um frio na barriga, uma sensação diferente. Até o dia em que ele nasceu, mesmo com o susto de ter que esperar alguns minutos até ele respirar, ao vê-lo pensei: Ufa, é normal!!! O curioso é que lembrei deste pensamento 5 anos e meio depois exatamente na hora em que ouvi da boca da psicóloga o diagnóstico. Enfim, resolvi escrever este post pois toda segunda ensaio um comentário ao me identificar com quase todos os seus sentimentos (que por vezes me fazem desejar ter persianas no escritório para poder deixar as lágrimas descerem mais livremente) mas ao final acabo achando que não disse exatamente o que gostaria e desisto. Neste instante me sinto exatamente assim mas ao ler sua resposta para a Erica resolvi passar por cima de minha vergonha de escrever e fazer de meu ensaio uma apresentação. Por fim, obrigado por compartilhar todos estes sentimentos tão complicados que habitam nossos corações tão confusos, mas ao mesmo tempo tão certos do que fazer por nossos pimpolhos. Um abraço.

    PS: o comentário deletado foi meu postado em nome da Erica por engano. :)

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  26. Gustavo, falei e repito: fico muito contente quando vejo um comentário teu ou da Érica. É, de certa forma, o espelho que tanto precisamos de vez em quando. Não se preocupe em ensaiar os comentários. Pode escrever do jeito que vier à cabeça. Assim como vocês entendem perfeitamente o que tento expressar nos meus textos, pode ter certeza que não é preciso muitas palavras para eu entender o que vocês dois querem me dizer. Um grande abraço. Obrigado por insistir consigo mesmo e deixar os comentários de vez em quando.

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  27. Querido Fábio,

    Tinha pensado em parar de comentar, porque, afinal, sou tua mãe e, no meu entendimento, o melhor que tenho a fazer é estar presente para o que der e vier na vida de vocês, em vez de ficar dando meus pitacos por aqui.Entretanto, empolgo-me a cada post às segundas-feiras, ficando quase impossível eu não me emocionar, como também, porque não ?, me alegrar com o sucesso do blog.

    Tenho refletido sobre a alegria e a dor. A alegria parece ser egoísta, rápida. Lembramos menos os momentos alegres. No momento, rimos, brindamos mas, já no outro dia esquecemos e ansiamos logo por outros momentos prazerosos. Ela parece descartável, principalmente se levarmos em consideração as alegrias "do consumo" nos dias atuais.

    Porém a dor, ah a dor!, nos pega forte. Não esquecemos dela tão rápido. Outro dia postei no Facebook uma frase do filósofo Sêneca que dizia que - as dores ligeiras se exprimem, as grandes são mudas.

    E fiquei pensando em nós. Na chegada do nosso pequeno Antônio. Tão mais indefeso, por exemplo, do que os meus três outros também tão amados netinhos. Porque nos emocionamos na dor ? E porque temos chorado lendo teus textos ?

    Penso que posso responder que tentas ser verdadeiro, natural, inteiro na tua dor. Tens falado o essencial e não o trivial dela. Deixaste de ser passivo nela e fostes à luta. Não sei se por ti ou pelo Antônio, não importa. Importa é que iniciaste a gerenciar as tuas emoções sem deixar que elas te dominem e te arrasem. E é nesta força cerebral que nasce a esperança. Para todos nós. E, é claro, isto vai refletir positivamente no Antônio. E isto é um grande ensinamento !

    Leio agora um livro de um médico psiquiatra que trata da formaçao da personalidade, de como agirmos para termos equilíbrio emocional. Com relação à dor, ele diz: - a melhor técnica é assumir a dor sempre, reciclá-la com maturidade, jamais se colocar como vítima, conversar sem medo com nossos fantasmas, com nossos medos, revê-los por outros ângulos e reescrever as nossas janelas na vida.

    Sinto-me feliz em te ver agindo assim.

    Beijos e até segunda.

    Mãe

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  28. Obrigado, mãe, por ser minha fonte constante de energia e ensinamento. Obrigado por este magnífico comentário. É melhor que o meu texto. Fiquei extemamente emocionado. Guardarei estas palavras para poder sempre consultá-las. Um beijo.

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  29. Fábio,

    Tbm não sei se acredito em coincidências. Ou, como vc mesmo escreveu antecipação, prenúncio.
    Acredito, todavia, em missão. Somos a todo momento testados pelas forças divinas com missões difíceis. Umas mais, outras menos. Penso que você viva hoje a missão mais difícil da sua vida. Nela você tem sido ao mesmo tempo professor e aluno! Nunca me cansarei de dizer: Parabéns por saber viver a luta diária da vida!!!
    Ainda veremos o Antonio recebendo do maravilhoso PAI o primeiro exemplar do seu livro... E nós todos estaremos sentados na platéia, como fazemos toda segunda no seu blog, emocionados!!
    Parabens!!
    bj a todos!
    Carol

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  30. Também interpretei como missão, Carol. Aceitei isso tudo como missão. E tirando tudo o que essa missão tem de ruim, sobra um montão de coisa boa. É por isso que dá pra seguir em frente. beijão

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  31. Não sei se me emocionei mais com seu texto, com os comentários ou com sua mãe! Quanta sabedoria, meu Deus! Uma pureza linda de falarem. Não imagina o bem que faz a quem lê seu blog. As lágrimas rolaram. Li vários textos, acabei trazendo o Antônio para a minha vida também, mas lágrimas de emoção, não de tristeza ou pena, porque só uma família muito abençoada receberia tão nobre missão. Não acredito em acasos, mas nos desígnios de Deus! E, saber que além de aprenderem, partilham seus momentos, seus sentimentos, é muito mais que admirável: é mesmo emocionante! Obrigada pela oportunidade. Parabéns pela iniciativa, pela coragem, pela busca, pela força! Um abraço em todos. Juliana.

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  32. Obrigado Juliana. Que bom que leu tudo, ou quase tudo. Os comentários são mesmo imperdíveis. São parte integrante do texto. São a troca. E isso é o que este blog tem de mais importante. A troca. Um abraço

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  33. Acaso, destino... que importância tem? Se nos dias difíceis é o Antonio quem junta os cacos, é isso o que importa. Sabe Fábio, a gente tem uma tendência a achar que o nosso problema é o pior do mundo, até que uma hora vc se depara c/ alguma coisa muito pior e é nessa hora que a gente passa a refletir. Falo por algumas experiências próprias. Vou citar uma delas. Qd meu filho Fabio c/ apenas 2 meses teve que ser operado de 3 hérnias, me faltou o chão. Até o momento que o médico saíndo da sala de cirurgia veio falar comigo e c/ meu marido e comentou que saindo de lá, ele ía p/ outro hospital fazer uma cirurgia de reconstituição de tórax numa menininha de 48 hs. Eu particularmente acredito que a gente vem a esse mundo c/ uma missão. Então temos que procurar desempenhar muito bem o nosso papel. Bjs

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  34. Cléo, o teu exemplo é perfeito de como colocar as coisas em perspectiva. O Antonio só tem nos dado alegrias, mal tem febre. A Ana e eu pensamos muito nisso. Olhar o lado bom ajuda a não sofrer.

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  35. Fábio, sou amiga da Cândice e da Nanda, e estou amando seus textos, parabéns, não tem como não chorar a cada leitura, estou muito emocionada. Toda segunda entro, mas nunca consegui mandar um comentário. Não é só o Antônio que é especial, a família de vocês toda é. Tenho certeza que nada é coincidência, Deus está no comando de tudo e reserva surpresas felizes para vocês. Kiki

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  36. Kiki, obrigado por este comentário. É uma alegria ver as amigas das minhas irmãs por aqui. Um beijo

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  37. Tudo tem Um Propósito! UP! ;)

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  38. Rejane Silene de Castro13 de dezembro de 2011 11:39

    Fábio, suas palavras são cheias de emoção e nos conduzem a uma reavaliação do que consideramos importante em nossa vida...
    Deus nos proporciona momentos únicos para o nosso crescimento pessoal, familiar, profissional... que muitas vezes ainda não compreendemos em sua imensidão mas que o dia-a-dia se encarrega de nos ajudar a descobrir!

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  39. Rejane, recentemente li num livro que devemos utilizar essas oportunidades não só para o nosso crescimento pessoal, mas também do crescimento dos nossos filhos e das pessoas em nosso redor. Foi um ponto de vista muito interessante de um pai de criança especial, dizendo que alguns pais se preocupam tanto com o seu próprio crescimento, que se afastam dos seus filhos especiais. Tenho tentado voltar os meus olhos para o Antonio, ajudá-lo a crescer e, por tabela, crescer também. Um beijo

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  40. Fa, é aprendizado MESMO o que extraímos daqui... E dessa vez veio em dose dupla (em questão de segundos após ler seu texto, tive que me reorganizar para absorver mais um pouco do texto LINDO da sua mãe.... que belo dom herdado!!). Acredito muito nessa questão de enfrentar, conhecer, desvendar a dor. E vc, sem dúvida nenhuma, é meu grande ídolo nesse sentido! Beijos!!

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  41. Ca, herança boa a gente não desperdiça. Essa semana foi dose dupla mesmo. Na verdade, dose múltipla. Tem vários comentários muito interessantes. bj

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  42. Fala, Fabio! O Antonio, como fonte inspiradora, e o blog, como veículo, estão criando uma verdadeiro coletivo de aprendizado entre todos que aqui conversamos e nos lemos. Mera incidência conjunta (co-incidência) ou destino, fui pesquisar o significado de 'Antonio' e lá estava: DE VALOR INESTIMÁVEL. Não ficou dúvida para mim do quanto tempo ainda ele tem a nos ensinar. OBS 1: sua mãe 'competiu' forte com você esta semana...ganhamos 2 textos sensacionais em 1 segunda! OBS 2: este blog vai virar livro...

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  43. Porra, Fabinho, tá foda, viu? Emocionei-me às lágrimas. E isso não é tão raro como me acusam, mas também não é nada comum. Só digo uma coisa: a tarefa nos é dada conforme nossa capacidade. E conforme nossa condição de aprendizado.

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  44. Fábio, estou adorando fazer parte dos fãs de carteirinha do seu blog... A leitura agora se resume às segundas-feiras com o seu novo post e às terças para ler todos os comentários de uma só vez. E que bom que o Antônio está recebendo essa energia tão boa de tantas pessoas. De pessoas que nem conhecem esse pequeno, como eu e de pessoas que nem te conhecem, como tantas. Energia boa, positiva, que contagia quem lê!!

    Estamos aguardando nosso 2º filhinho, que chegará até o final de março! No meio de tantas expectativas e ansiedade (mesmo sendo o 2º), ler e sentir as emoções de pais tão especiais sai do lugar comum dos livros óbvios “Criando Meninos”, “O que esperar quando você está esperando”, etc. São experiências sensíveis, profundas, verdadeiras!! Obrigada pela leitura obrigatória semanal.

    Estamos daqui de SP, na torcida pelas pequenas grandes conquistas do Antônio! Beijos e até segunda!

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  45. Da Vila, que bom que você fez a busca. Sabe que eu não sabia de cabeça o significado? Tinha chegado a pesquisar, mas que eu me lembre a origem era difusa... não havia uma teoria certa. Mas nenhuma deve superar "De valor inestimável". É a que vou responder daqui pra frente. Abraço

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  46. André, lágrimas - e sorrisos - são o melhor elogio que um texto pode receber. Obrigado.

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  47. Flávia, parabéns pelo segundo filhote a caminho. Que alegria. Muita saúde para ele. Que bom estar "participando" da sua espera com meus textos. Que sejam fonte de boa energia para você. Um beijão

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  48. Nada nessa vida acontece por um acaso. Nem sempre conseguimos enxergar os porques, mas com certeza eles existem, e muitas vezes, estão bem na nossa cara.
    Fábio, parabéns pelos textos. Alias, acho que agora sabemos a quem você puxou. O texto da sua mãe também é lindo! Beijos, Virginia

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  49. Fábio, a primeira vez que li seu blog foi com um "tom" de preocupação. Afinal, alguém que tem mais ou menos a minha idade, estava passando por uma situação bastante complexa. Eu, por ter passado por problemas sem respostas na minha vida, tentava imaginar como algum comentário meu poderia te dar uma força. Relutei em comentar a primeira vez, lia seus textos esporadicamente, e hoje leio sempre. O "tom" da minha leitura hoje em dia é outro. Hoje eu aprendo com seus textos, me divirto, me emociono e, por vezes, me alegro. Com certeza, o Antônio, por vias que você nunca vai entender (se é o destino, coincidência ou acaso), dá outro sentido à sua vida e de sua esposa.

    Abraço

    Sergio

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  50. Obrigado, Virginia. Também acho que puxei à minha mãe.

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  51. Sérgio, acho que os textos começaram mais graves mesmo, mais doídos. Mas como toda boa terapia, a gente vai se levantando. Muitos textos alegres virão. Abraço

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  52. Que família linda!!! Deus está no comando de tudo Fábio. E Ele jamais entregaria um filho Dele, tão lindo e precioso a qualquer um..Ele confia em vc e na Ana. Um beijão no Antônio...( a intimidade é triste!!...rs rs ) Adriane

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  53. Obrigado Adriane. O beijão foi dado no Tom. O blog aproxima as pessoas da gente mesmo. Rs Fique à vontade para comentar com intimidade. Rs

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  54. Puxa vida! Hoje foi "dose dupla" de emoção! O comentário da Neiva é MARAVILHOSO! Tive que secar as lágrimas para chegar ao fim. Depois, ir descobrindo esta troca de energia positiva entre todos aqui, leitores de blog e fãs do pai do Antonio, é uma experiência reenergizante. Parabéns a todos, autor e comentaristas deste blog abençoado, que nos emociona, alimenta e ajuda a entender um pouco o que é viver. Desculpem se quebrei a "regra" de um comentário por post, mas nào pude evitar. Beijos
    Mimi

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  55. Mimi, não tem regra, não. Comente à vontade. rs

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  56. Fábio, vem um livro por aí....para servir de inspiração para outros tantos papais que possam passar por momentos difíceis.
    A vida não é um acaso. Nossos compromissos nos reúne sempre para podermos aprender a amar cada vez mais. É a chance da renovação.
    Muito lindos seus textos.

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  57. Fábio, conheci seu blog através de uma amiga e li todos os textos sem conseguir parar. Realmente fascinante a maneira como vc escreve sobre o Antonio, lindo demais! Tenho 3 filhos pequenos e pude sentir a sua dor e a sua alegria a cada linda do blog.Tenho certeza que ainda muitas coisas boas virão e a vitória de vcs é certa, porque souberam acolher com amor esse filho maravilhoso que receberam. Parabéns a vc e a Ana, e um beijo muito grande para esse fofo do Antonio!Estarei todas as segundas por aqui! Um abraço, com muito carinho, Ana.

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  58. Obrigado Ana. Que bom que leu tudo. Te espero às segundas então.

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  59. Rejane Silene de Castro15 de dezembro de 2011 17:18

    Fábio,

    Estou lendo seu blog e a cada novo texto estou mais emocionada, mas muito feliz!

    Seus textos são maravilhosos, cheios de amor e compreensão para com o novo.

    Sentimentos que talvez as palavras não possam expressar em sua totalidade, mas que nos conduzem para bem próximo de vocês.

    Estou verdadeiramente encantada! Irei mostrar seu blog para teu primo Felipe, tenho a certeza que tambpem irá gostar de compartilhar com você estes momentos.

    Ensinou o grande poeta Vinícius de Moraes que uma vida só vale a pena, quando somos capazes de emprestar a mesma o nosso próprio existir e você está fzendo exatamente isto. Parabéns pelo belo trabalho.

    Desejo muitos bons momentos para você a Ana e o Antônio.

    "O amor é a melhor música na partitura da vida. Sem ele você será um eterno Desafinado no imenso coral da humanidade." Roque Schneider

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  60. Obrigado, Rejane. Passe para o Felipe, sim! Obrigado pelo comentário. E venham visitar quando houver tempo e dinheiro. Tem um monte de casas de primos para hospedá-los. Um beijo.

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  61. Eu amei o blog. Acabei de ler o texto do blog do Jairo e, como eu gostei muito, resolvi olhar esse também.
    Identificação total, claro. Se você acompanha o blog do Jairo, eu sou a mãe do André, do texto do último dia das mães.
    Conto nos dedos de uma mão, e sobra dedo, gente que eu encontrei que passa por essa situação de ter um filho deficiente e tem discernimento para fazer uma reflexão que vale a pena a gente ouvir/ ler. É bom demais ler textos sobre esse assunto que fazem a gente se sentir menos sozinho em algo tão particular. Meu filho também foi uma espécie de "prêmio de loteria", algo que estatisticamente beirava o impossível, que não tem outro igual. Enfim, até com essas questões do acaso, de coincidências "místicas", eu me identifiquei. Muito obrigada por diminuir minha solidão nesse campo!
    Eu também adoro escrever. Mas tenho me dedicado a textos profissionais. Apenas considero a possibilidade de um dia escrever mais sobre a questão do meu filho.
    Bom, a terapia a comecei na gravidez. Não deu pra sair até agora. rsrsrs
    Um abraço

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  62. Lina, obrigado por vir até aqui e deixar esse recado. Vou buscar o texto do Andé e relê-lo. Espero revê-la por aqui contando um pouco mais da sua história. Um beijo

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  63. Grande Fábio,
    conheci teu blog através do blog do Jairo,e tô adorando teus post,sem falar nos comentários que se tornam um complemento riquissimo ao post,ja vi que você puxou a mamãe para escrever,tem o dom.Já favoritei e assinei a RSS.
    Bem deixa eu ler os outros post,pq tem muita coisa que não vi ainda :)
    Abraços

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  64. Leandro, que ótimo que está gostando. Vai até o fim (ou início, rs) mesmo. O primeiro post "Querido Filho, ou filha" é um dos mais lidos até hoje. Abraço

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  65. Não conhecia teu blog,através do blog do Jairo cheguei aqui e vi tua historia.As coisas acontecem em nossa vida e não sabemos o porque,eu tbm me tornei deficiente depois de um acidente de carro,e todo dia me perguntava por que eu??Acho que milhares de pessoas neste instante tbm se perguntam!!Hoje mãe tbm e vejo,que temos tanta força,que nem imaginamos,é DEUS agindo...Teu filho é lindo!!Tenham um feliz natal vc e tua tua familia!bjs
    http://aldreylaufer.blogspot.com/

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  66. Aldrey, obrigado por vir aqui, obrigado por comentar. Com calma, espiarei o teu blog e deixo uma palavra por lá.

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  67. Querido pai:

    Procure ler o maravilhoso "Nascer duas vezes" de Giuseppe Contiggia. Companhia das Letras. É enriquecedor. Emocionante!

    Meu filho Fernando, forte, saudável, de repente se foi após 4 dias hospitalizado com uma leucemia.Teve uma hemorragia cerebral. Tinha 31 anos e o dia 27 de fevereiro de 2010 foi o mais desesperador de minha vida, embora a dor não diminua, só aumente...
    Ele 'previu' e se despediu de mim, durante três meses...Percebi e tive um mau presságio...Pedi que não me cumprimentasse mais daquele jeito, se despedindo...Em vão...

    Coincidência?

    Sei lá, Fábio, mas que ele se despediu se despediu. Foi tudo muito claro, evidente.

    Amei o Antonio, muito fofo! Amei saber de você e de Ana!

    Vou visistar seu blog sempre. Espero que poste muitas fotos de seu professorzinho, tão sábio!
    Muito carinho, Anamaria

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  68. Querido pai:

    Procure ler o maravilhoso "Nascer duas vezes" de Giuseppe Contiggia. Companhia das Letras. É enriquecedor. Emocionante!

    Meu filho Fernando, forte, saudável, de repente se foi após 4 dias hospitalizado com uma leucemia.Teve uma hemorragia cerebral. Tinha 31 anos e o dia 27 de fevereiro de 2010 foi o mais desesperador de minha vida, embora a dor não diminua, só aumente...
    Ele 'previu' e se despediu de mim, durante três meses...Percebi e tive um mau presságio...Pedi que não me cumprimentasse mais daquele jeito, se despedindo...Em vão...

    Coincidência?

    Sei lá, Fábio, mas que ele se despediu se despediu. Foi tudo muito claro, evidente.

    Amei o Antonio, muito fofo! Amei saber de você e de Ana!

    Vou visistar seu blog sempre. Espero que poste muitas fotos de seu professorzinho, tão sábio!
    Muito carinho, Anamaria

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  69. Amigo,
    Boa tarde !
    Muito bela sua estória; entenda que, nada na vida e no mundo nada é por acaso, acrdite ! Não sei sua religião, mas no esperitismo de Kardec,muita fala-se sobre este assunto. Seu filho, necessita de toda ajuda e apoio familiar,em especial dos pais, pois encontra-se em plena evolução espiritual e, vcs pais, também neste aspecto evolutivo, fazem plena parte do conteudo dele. Papai do céu o enviou como um anjo na vida de vcs e,este bem que hj conferem para ele, reflitirá em bons frutos no futuro. Sei e entendo que, é muito facil ficar aqui digitando estas palavras, mas acredite,imagino como vcs devam sentir-se.

    Eu e minha esposa,adotamosum bebe d 20 dias ( Pedro Augusto ) que, simplesmente, a mãe materna o abandonou na rua com placenta....dá para imaginar um ''ser humando'' fazendo isso com um ser indefeso que mal chegouao mundo ? ? Quando o vejo durmindo tranquilo e protegido em seu berço, imagino que muitas outras crianças, não tiveram a mesma ''sorte'' de hj ter um lar.

    Bom,caso precisem de uma palavra amiga, entrem em contato pelo meu email policarbrilho@uol.com.br

    Abs e beijos no seu lindo filho,
    Ronaldo/Iara e Pedrinho

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  70. Anamaria, livro anotado. Está na fila. Obrigado pela indicação, obrigado por dividir sua história aqui. Um bj

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  71. Ronaldo, procurei um centro espírita assim que o Antonio nasceu e foi fonte de muito conforto. Obrigado por escrever aqui. Obrigado também por deixar um contato. Gostaria de ouvir mais sobre o Pedro. Um abraço

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  72. Fábio, como vai? Estou embasbacada com seus textos. Li você pela primeira vez no Blog do Jairo. Eu também sou pessoa com deficiência, como ele. Também tenho blog (como vocês dois) e sou psicóloga. Faço parte do Núcleo de Pesquisa da Pessoa com Deficiênca da Univ. Federal de Santa Catarina. Tenho lido muitos blogs de pessoas deficientes, pois estou, no momento, confeccionando um artigo científico sobre a resiliência. De todo modo, quero te dizer que a tua perspectiva sobre a deficiência vai poder determinar o enfrentamento do teu filhote em relação à condição, às pessoas, ao mundo. Meus pas tiveram todo discernimento necessário e isso fez toda diferença sobre minha diferença. Parabéns, viu? Vou te linkar no me blog. Aparece lá.
    koisascomka.blogspot.com

    Abraço aos 3!

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  73. Ká, obrigado. Que bom que veio até aqui e deixou este comentário. Hoje estou em trânsito, ônibus, voo, não conseguirei visitar o seu blog com calma. Mas é certo que durante a semana darei uma passada lá. Um bj

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  74. Fabio, acabei de conhecer seu blog e me apaixonei por seus textos...Como me identifico em cada frase e sentimento. Somos, eu e meu marido, pais de uma criança especial - paralisia cerebral - chamada Helena, perfeita e maravilhosamente bela. Tento viver um dia de caa vez e agradecer a tudo que ja conquistamos ao seu lado...Afinal como diz uma grande amiga " a verdadeira perfeição esta em enxergar além daquilo que vemos..."

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  75. Este comentário foi removido pelo autor.

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  76. Lorena, que bom que gostou e se identificou. Você escreve algo sobre seu dia-a-dia com a Helena? Gostaria de ler. Abraço para a família.

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  77. FÁBIO
    SOU TUA PRIMA IRMÃ DE TUA MÃE, TOMEI CONHECIMENTO DO TEU BLOG E DESSA HISTÓRIA LINDA DO ANTÔNIO PELA MIRINHA, NO ENCONTRO INTERNACIONAL DA FAMILIA MOURA NO BATOVI, INTERIOR DE SÃO GABRIEL RS. ME DELICIO LENDO TUAS POSTAGENS E TENDO UMA VERDADEIRA ESCOLA DE VIDA. FAÇO O CONVITE AQUI, PARA QUE NO MES DE JANEIRO 2013 TU VENHA COM ANA E ANTONIO, ESSE PRÍNCIPE MISSIONEIRO, CONFRATENIZAR NOS PAMPAS GAÚCHOS. UM ABRAÇO KILOMÉTRICO E CARINHOSO PRA CÊIS TREIS.

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  78. Liliane, é muito bom encontrar a parentada, mesmo que seja virtualmente. Temos planos reais de levar o Antonio ao sul, para a conhecer a bisa Ariett e os tios-avós dele. Assim que tiver maiozinho. Assim que tivermos um tempo. Avisamos com antecedência. Aí nos encontramos ou em São Gabriel ou na fazenda. bj

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  79. Fabinho e Ana,
    Nunca tive paciência para redes sociais, orkut, facebook... Raramente entro, geralmente só vejo quando estou com insônia, que é o caso neste momento.
    Como geralmente só tem piadinhas e bobeiras afins não tenho muita paciência para isso.
    Mas hoje foi diferente, encontrei este blog que me desmontou inteiro. Uma verdadeira lição de vida, humanidade e principalmente lucidez.
    O momento mais emocionante da vida de um ser humano, que é o nascimento dos filhos, ao mesmo tempo foi para vocês um dos mais difíceis. Mas vocês passaram por todas as barreiras e dificuldades que vida poderia colocar nos seus caminhos. E fizeram isso da maneira mais nobre que pode existir, que é através do amor.
    Acredito que assim como eu, a maioria das pessoas quando está esperando filho acaba passando pela cabeça como será o filho, se virá com saúde, se terá algum problema físico, se será especial, e como seria a vida caso algo disso viesse a acontecer. Mas assim que este pensamento vinha a minha cabeça, a única coisa que conseguia pensar era na certeza do amor infinito que eu teria pelo meu filho, independente da condição que ele viesse ao mundo.
    Depois com o passar dos anos, continuamos pensando, como seria se um de nossos filhos fosse homosexual. Se entenderíamos, se aceitaríamos, como seria visto perante a sociedade. Novamente vem o pensamento de que é claro que aceitaria, daria todo o apoio e amor que um pai deve dar aos seus filhos, independente da sua opção sexual.
    Pensamos também como seria se um filho fosse um viciado, se o colocaríamos para fora de casa, ou se faríamos de tudo para recuperá-lo.
    Enfim, são provações que passamos em nossas vidas, e que nem todos estão preparados para viver e muito menos superar.
    Mas vocês provaram que assim como o Antonio são pessoas muito especiais, por recebê-lo com todo o amor e carinho que ele merece ter.
    Continuem sempre assim, busquem sempre a felicidade, pois esta é a verdadeira essência da vida.
    Deus esteve com vocês durante estes 365 dias e estará em todos os anos que virão pela frente, podem ter certeza.
    Grande abraço!

    Reinaldo Saucedo

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  80. Reinaldo, que bom que leu mais posts. Obrigado por comentar. Desejo que teu filho (ou filha?) venha perfeito e cheio de saúde. Só de ver você refletir sobre o futuro e determinar que aceitará o seu herdeiro como vier, é a prova de que será um bom pai para ele ou ela. Que bom vê-lo por aqui. Abraço

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  81. Fábio, eu sempre digo às pessoas que eu experimentei todos os tipos de parto: minha 1ª filha foi normal, a 2ªcesárea aos 7 meses, a 3ª cesárea e laqueadura, mas a 4ª foi o parto mais longo; minha filha do coração se tornou minha desde o primeiro olhar aos 2 meses , mas de registro e tudo foram 1 e 4 meses. Eu digo que foi o mais longo e sofrido, pq voce sabe adoção não é facil, existem casos que mesmo depois de tempo ainda dá errado; o meu medo era isso, que tirassem ela de mim.
    Tauany tem hj 8 anos, quando nasceu ficou 18 dias internada na UTI neo natal, era desnutrida e com problemas de saúde; depois da alta , foi levada a um abrigo, depois que a adotei (esse capitulo é a parte, é uma história e tanto...) ela teve vários problemas alérgicos e respiratórios, por ultimo no ano passado descobrimos que ela tem uma má formação na coluna, isso é congenito e leva a uma escoliose progressiva, e outras complicações; ela vai ter que fazer uma cirurgia, e eu tenho fé que vai dar tudo certo! Mas uma coisa que me disseram uma vez e eu nunca me esqueço, e acho que cabe bem no seu caso e da sua esposa: "Deus envia bebes especiais para pais especiais", então fomos escolhidos por Deus para esta missão, e se Ele nos confiou é porque sabe que nós seríamos capazes de desempenhá-la bem!!!! Por isso fé acima de tudo, e creia "A vontade de Deus nunca irá levá-lo aonde a Graça de
    Deus não irá protegê-lo." Fiquem com Deus!!!

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  82. Elisa, obrigado por contar a sua história aqui. Desejo que a sua Tauany consiga enfrentar a escoliose com coragem e o menor sofrimento possível. Guerreiras nossas crianças já são desde que nasceram. Fiquem com Deus vocês também. Um bj

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  83. Conheci teu bog hoje e gostei muito.
    Não estou postando esta crônica do Carpinejar para desvalorizar os médicos nem ser simplista, mas porque tenho uma convicção sobre crianças, especiais ou não, que insisto sempre em repetir: elas sempre "podem" muito mais do que a gente pensa. E, ao procurar o texto na internet vi um comentário que dizia, "... Diagnóstico não é sentença..."
    Ah, o mais importante de tudo, o Antonio é lindo.


    RETARDADO AOS 8 ANOS
    Mãe é exagerada. Sempre romantiza a infância do filho. A minha, Maria Carpi, dizia que eu fui um milagre, que enfrentei sérias rejeições, que não conseguia ler e escrever, que a professora recomendou que desistisse de me alfabetizar e que me colocasse numa escola especial.

    Eu permitia que contasse essa triste novela, dava os devidos descontos melodramáticos, entendia como licença poética.

    Até que mexi na estante do escritório materno em busca do meu histórico escolar.

    E achei um laudo, de 10 de julho de 1980, assinado por famoso neurologista e endereçado para a fonoaudióloga Zulmira.

    “O Fabrício tem tido progressos sensíveis, embora seja com retardo psicomotor, conforme o exame em anexo. A fala, melhorando, não atingiu ainda a maturidade de cinco anos. Existe ainda hipotonia importante. Os reflexos são simétricos. Todo o quadro neurológico deriva de disfunção cerebral.”

    Caí para trás. O médico informou que eu era retardado, deficiente, não fazia jus à mentalidade de oito anos. Recomendou tratamento, remédios e isolamento, já que não acompanharia colegas da faixa etária.

    Fico reconstituindo a dor dela ao abrir a carta e tentar decifrar aquela letra ilegível, espinhosa, fria do diagnóstico. Aquela sentença de que seu menino loiro, de cabeça grande, olhos baixos e orelhas viradas não teria futuro, talvez nem presente.

    Deve ter amassado o texto no bolso, relido sem parar num cantinho do quintal, longe da curiosidade dos irmãos.

    Mas não sentiu pena de mim, ou de si, foi tomada de coragem que é a confiança, da rapidez que é o aperto do coração. Rejeitou qualquer medicamento que consumasse a deficiência, qualquer internação que confirmasse o veredito.

    Poderia ter sido considerada negligente na época, mas preferiu minha caligrafia imperfeita aos riscos definitivos do eletroencefalograma. Enfrentou a opinião de especialistas, não vendeu a alma a prazo.

    Ela me manteve no convívio escolar, criou jogos para me divertir com as palavras e dedicou suas tardes a aperfeiçoar minha dicção (lembro que me fazia ler Dom Quixote, e minha boca andava apoiada no corrimão dos desenhos).

    Em vez de culpar o destino, me amou mais.

    Na vida, a gente somente depende de alguém que confie na gente, que não desista da gente. Uma âncora, um apoio, um ferrolho, um colo. Se hoje sou escritor e escrevo aqui, existe uma única responsável: Maria Carpi, a Mariazinha de Guaporé, que transformou sua teimosia em esperança. E juro que não estou exagerando.

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