segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Toys R Us

Uns diriam que é sorte. Outros, que é azar. O fato é que faz algum tempo que trabalho ao lado de um shopping. É só atravessar a rua e entrar.

Na coluna dos prós, posso listar facilmente a presença de três ou quatro lugares decentes para tomar café, uma agência do meu banco, uma lotérica e uma livraria relativamente boa, que além de amenizar o tédio pós-almoço, nunca falha em salvar a minha pele quando esqueço o aniversário de alguém, o que acontece com uma frequência próxima ao sempre.

Porém o lado ruim é muito maior, muito mais sexy e muito mais envolvente. Shopping, que me perdoem os amantes de compras tementes a Deus, é obra do diabo. Pensem comigo. Que outro ser criaria um prédio em que as escadas rolantes fazem você andar quilômetros de um canto ao outro, em ziguezague, muitas vezes ao lado de esposas incapazes de seguir adiante sem parar em frente a cada uma das quatrocentas vitrines no caminho, apenas para você conseguir subir três pisos? Que outro ente do mal seria capaz de elaborar algo tão aterrorizante quanto uma praça de alimentação? Um lugar onde você não só faz refeições sofríveis, mas também é obrigado a disputar espaço, a cotoveladas, com um estranho sentado a 15 centímetros de distância, e que lhe dá um golpe nas costelas toda vez que vai cortar o bife à milanesa. Isso sem contar a presença garantida daquele outro indivíduo em pé atrás de você, com uma bandeja nas mãos, contando quantas batatas fritas faltam para você chispar dali e finalmente ceder o seu lugar para que ele se sente.

Shoppings, idênticos da Malásia ao Malauí, também têm a incrível capacidade de hipnotizar as pessoas, que não se incomodam em perder dias inteiros de viagens preciosas – e dispendiosas – entrando na Zara, na Nike ou em qualquer outra loja, disponível em qualquer canto do mundo, só para conferir. Não estou tirando o meu da reta, não. Somo, em minhas poucas férias, incontáveis horas nas Galeries Lafayette, no Premium Outlet ou mesmo no Shopping Morumbi. Começo sempre com a intenção de não comprar nada, mas o diabo é bom no que faz, e criou o artifício de permitir que a gente só dê uma olhada, ou que a gente experimente só pra ver como é que fica. Termino o dia significativamente mais pobre e momentaneamente mais feliz.

Meu tormento não é tanto as lojas. Elas são, em certa medida (de fato bastante desrespeitada por uma importante parcela da população feminina), necessárias. O problema não são os apitos de senha na praça de alimentação. Nem as escadas rolantes que sempre descem quando quero subir. Nem os desocupados que vagam sem rumo, atentos às promoções, mas completamente desatentos às pessoas, às crianças, aos cadeirantes e a qualquer outro ser que venha na direção contrária. Tudo isso certamente alimenta a minha indignação com shoppings, mas não necessariamente são a causa dela. O que realmente me incomoda, mesmo sendo publicitário e tendo pleno conhecimento dos motivos e dos resultados da prática que me causa ojeriza, é a absurda antecipação das datas comemorativas promovidas pela publicidade e pelas metas de venda, mas materializada, sem exemplo mais ilustrativo, nas decorações de shopping.

Mal começa o mês de novembro e a maldita casa do Papai Noel já está lá, completamente pronta, rodeada por árvores de cinco metros de altura e adereços numa tenebrosa combinação de verde, vermelho, dourado e outra cor de livre escolha. A questão não é somente estética – apesar das lágrimas de muitas crianças, as mais sinceras neste quesito, comprovarem que a imagem de um senhor acima do peso, com maquiagem invariavelmente derretida, bufando sob um cobertor vermelho e coçando sua barba postiça, é geralmente assustadora. Entretanto o maior problema é que a decoração de natal finaliza o ano de forma completamente precipitada. Traz aquela triste sensação de fim de tarde no domingo. E a faz perdurar por dois meses, anunciando dia após dia que você não emagreceu os 10 quilos que prometeu, que você não deu uma virada na sua vida, que este ano está indo embora ordinariamente, como todos os outros anos anteriores, até que ele acabe de fato.

Outra imagem que me dá certa agonia – além dos algodões decorativos simulando neve em um país conhecido pelo seu verão de 40 graus – é a correria nas lojas de brinquedos. Sei o que é amar uma criança. Tenho um filho e mais cinco sobrinhos. A gente entra naquele mar de carrinhos e bonecas, imagina o brilho nos olhos de cada um deles e tem vontade de comprar tudo, em 10 vezes no cartão.

Mas se você me perguntar o brinquedo que eu mais recordo da minha infância, a resposta é uma inocente coleção de caixas de fósforos vazias que a minha avó juntava, para que tivéssemos o com o que brincar quando fizéssemos uma visita. Acredito que o real motivo era garantir que os netos mantivessem as mãos sujas nas caixinhas, em vez de carimbar as paredes brancas. Que seja. Missão cumprida. Pois eu ficava horas montando trens, caminhões, cidades e tudo o que minha mente conseguia inventar com aquelas caixas com cheiro de fósforo. Até hoje, quando sinto aquele cheiro, a lembrança da minha avó volta para me abraçar.

No natal do ano passado aconteceu algo parecido. Os pais, os avós e os tios dos meus sobrinhos, eu inclusive, estavámos todos muito preocupados em dar bons presentes, realizar os desejos, seguir à risca os pedidos das cartinhas. Uma das minhas irmãs, num misto de criatividade e praticidade, decidiu comprar algo mais simples e barato: boias de piscina, em formato de bote e baleia. A alegria das crianças foi tanta, que tive que encher as boias imediatamente, mesmo que eles não tivessem permissão para nadar àquela hora da noite. Brincaram no barco e na baleia inflável até adormecerem. Deixaram os brinquedos à pilha de lado. Preferiram os movidos a imaginação.

Quando descobri que seria pai de um menino, o primeiro pensamento que me veio à cabeça foi que teria companhia pra brincar. Projetei o Antonio com dois, três anos, correndo atrás de bola, andando de bicicleta, pulando na cama, deixando a casa um caos, levando brinquedos para lá e para cá. Inúmeras vezes imaginei o Antonio entrando no meu quarto, de fralda e camiseta, com algum cacareco nas mãos, às 7 da manhã do domingo, me convidando, com chupeta e sorriso no rosto, para acordar e brincar.

O Antonio, apesar de adorar uma bagunça e ter começado a se interessar por brinquedos com luzes e barulhos, até hoje nunca buscou, como seria esperado para um bebê de dez meses, um brinquedo com as mãos. A coordenação motora fina é uma das suas maiores dificuldades. E tarefas simples como pegar, segurar e soltar são imensos desafios. Por causa do reflexo nato de fechar as mãos, ele até consegue prender algum brinquedo leve por algum tempo, mas logo depois o solta, sem uma relação clara de interesse e desinteresse, muito mais pelo puro instinto de voltar abrir as mãos.

Talvez por isso, as brincadeiras que mais o divertem são predominantemente sensoriais. Ele adora quando o pego no colo e faço aviãozinho. Morre de rir quando imito o relinchar de um cavalo. Fica hipnotizado quando saímos para passear, olhando o contraste entre o céu e as árvores. Relaxa, sorridente, quando sente o vento no rosto. Bate as perninhas sem parar quando nos arriscamos a nadar.

À medida que o natal se aproxima e verdadeiras multidões enrijecem as pernocas e emagrecem as contas bancárias dentro dos shoppings, eu me manterei fiel aos meus três ou quatro lugares decentes para tomar café em vez de me perder nas lojas de brinquedos. É claro que darei alguma coisa brilhante ou barulhenta para o Antonio. É claro que ficarei muito contente com os presentes que ele receber do Papai Noel. De alguma maneira, mesmo que não seja da forma clássica, esses brinquedos contribuirão para o desenvolvimento dele, disso não tenho dúvida. Mas além de ajudá-lo a desembrulhar os pacotes que o esperam debaixo da árvore, vou separar o fim de ano para ficar horas com o Antonio na piscina. Vamos abrir uma companhia aérea de tanto aviãozinho que faremos juntos. Vamos fazer piquenique embaixo de uma árvore bem grande. Vou esticar uma toalha macia na grama para ele poder rolar.

Tenho certeza que é esse tipo de presente que ele quer ganhar.

29 comentários:

  1. pois é, fabio, apesar de ter trabalhado muito tempo com decoração de natal, concordo com vc que é um absurdo essa antecipação do natal!!! para vc ter uma idéia, em OUTUBRO já tinha shopping decorado!!!! daqui a pouco nem vão tirar mais a decoração, será natal o ano inteiro hehhehhehehhhhehe
    bjokas pra vc, ana e antonio :)

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  2. Texto divertido, emocionante, impressionante (especialmente por irmos com você por diversos assuntos sem nem perceber).

    Publicitários entendem, mais que ninguém, que o Natal já deixou de ser uma data puramente religiosa e familiar faz tempo. Agora é, principalmente, uma data de consumo, e seu templo é, como não poderia deixar de ser, o shopping (sim, esse lugar nefasto, adorei sua descrição! hahaha). Apesar de todo esse apelo consumista (a obrigação de comprar presentes para toda a família, etc etc, coisa chata), acho que é justamente por essa leveza e imaginação das crianças que isso significa alguma coisa. E nem sempre é só um presente de loja embrulhado em um papel vistoso que vai fazer os olhinhos delas brilharem.

    Lindo, lindo texto.

    Não acredito que ainda não conhecia o seu blog! Acompanhando desde já! ;)

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  3. Jô, lembrei de você enquanto escrevia. Sempre me impressiono com o seu comentário de que em janeiro os shoppings já começam a planejar o seu natal. Um bj

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  4. Aline, que honra tê-la como leitora. Tento acompanhar os projetos autorais de todos os amigos, inclusive os seus, e sei que nos perdemos no meio de tanta coisa para ler, tanta coisa que queremos escrever e, ainda por cima, tendo que fazer títulos no meio disso tudo para garantir o pão. Um grande beijo.

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  5. Pai, nós sabemos o que deixa nossos filhos mais felizes, e nem sempre é o óbvio ou o mais caro! E este é nosso trampo: Fazê-los sorrir!

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  6. Zeca, essa função cumpro com a maior boa vontade. Abraço

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  7. Querido filho,

    Tua avó vai adorar este post !

    Beijão.

    Mãe

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  8. Vou dizer para a Rafa imprimir e entregar para ela.

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  9. Boa tarde Fábio, troquei algumas palavras com você no carnaval de 2010 no Rio de Janeiro. Brindamos alguns chopps quentes, em pé no Jobi, e nada mais.
    Ao longo da vida colecionei alguns tropeços capazes de derrubar a maioria das pessoas. Sem mais nem porque, de um dia para o outro, me vi literalmente sem pai nem mãe. Não é nada fácil, mas não há espaço para lamentação. O tempo não espera você se acostumar com nada, ele é implacável. Decidi que independente de quaisquer dificuldades, seria feliz.
    Quando sua irmã me disse dos problemas incertos que vc teria pela frente com o Antônio, eu falei pra ela: "todos os momentos de dificuldade, se tivermos sabedoria, podemos transforma-los em um momento de reflexão, que nos tornará pessoas melhores. O Antônio vai transformar seu irmão e os demais". Posteriormente ela me falou sobre o seu blog, e me tornei um leitor anônimo e assíduo.
    Hoje, não tenho dúvidas de que o Antônio está em ótimas mãos, e que mesmo com os momentos de incerteza e apreensão, você já se tornou uma pessoa ainda melhor.

    Um abraço

    Sergio

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  10. Sérgio, lembro bem daqueles chopps tão difíceis de conseguir. Este comentário, tão cheio de verdade, me emocionou profundamente. "O tempo não espera você se acostumar com nada." Se fosse reescrever a frase que abre o blog, tomaria esta emprestado de você. Fico feliz que esteja acompanhando. Comente sempre que se sentir à vontade. Um abraço.

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  11. Fabinho,

    Genial. Identifiquei-me muito com as caixas de fósforo da sua avó. Quando era moleque e passava férias na casa dos meus avós, todos os meus brinquedos preferidos eram desse modelo e marca. Não me faltaram brinquedos "de loja" (apesar de ter vivido num período em que video game era coisa de gente MUITO rica e, portanto, fora do meu universo), mas o que curtia mesmo era um gaveta, no armário da sala, onde acumulavam-se rolos de barbante (onde diabos estão as padarias que amarravam o pão em papel cinza, amarrados com barbante fino?), incontáveis rolhas, sacos plásticos, tampinhas de garrafas e outras materiais que normalmente iriam para o lixo. Mas meus avós haviam inventado o conceito de reciclagem MUITO antes da invenção da latinha de alumínio. E com essa material reaproveitado, fazia de tudo. Ocupava os dias chuvosos do verão na serra fluminense. Nos dias de sol, usava menos, porque nesse caso, os brinquedos estavam todos do lado de fora: rios, cachoeiras, pedras no quintal, trilho de trem, rua de paralelepípedo, essas coisas de moleque, que tanta falta fazem à juventude de hoje.

    Abraços e parabéns pelos textos!

    André

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  12. André, até eu fiquei com vontade de mexer na gaveta dos seus avós. Rs. São essas as melhores memórias mesmo. Também passei minha infância brincando na rua. Até tive um videogame, bem vagabundo, mas joguei por uns três meses e deixei empoeirar. Abraço

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  13. Cheguei ao blog por sugestão da Aline Valek, uma escritora que me agrada plenamente - logo - fiquei curioso em ler o material que se encontrava aqui.

    Constato que a dona Valek tinha razão. As coisas funcionam bem por aqui, são leves e diretas, gostosas de ler. Não existe aquele peso de críticas austeras que lemos em muitos colunistas de sobrenome por aí.

    Não é forçadamente engraçado e nem superficial. Não é piegas, não é grosseiro, não é ofensivo.
    É uma medida de equilíbrio que tantas pessoas passam anos querendo imputar na escrita e não conseguem.

    Agradável demais esse texto. O final é esperançoso sem parecer pretensão de felicidade.

    Lerei sempre. Parabéns!

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  14. Brunno, obrigado pelo comentário. É um equilíbrio difícil mesmo, mas a gente vai tentando escrever sem cair. Abraço.

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  15. Fala, Fabio! Mais uma semana bem começada. E quando a indústria automobilística começou a lançar os carros do ano seguinte em Maio? Outra coisa que me intriga nesta artificialização (existe esta palavra?) do tempo é que a gente comemora o Ano Novo na hora errada, no horário de verão! Briga certa entre agências de energia elétrica e os astrólogos! Ab! Da Vila

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  16. Da Vila, seus comentários são mais interessantes que os textos que os geram. Nunca tinha pensado na questão do ano novo. Um abraço.

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  17. Fábio, nós humanos realmente sentimos as coisas que os outros nos desejam: ontem minha avó me ligou e fofocou horas, e dentre os assuntos sabe quais foram os mais demorados?? O Papai Noel do Iguatemi e o Antonio. Ela contou que sentou ao lado do Noel do Shopping,disse que ele estava lindo e tirou uma foto. Ele retribuiu dizendo que ela aparentava 60/70 e poucos!!! hahahahaha
    E contou também que está de mal do Santo Antonio porque ele não podia ter aprontado "essa" com ela; mas mesmo assim ela insiste e reza para o bisnetinho todos os dias, com fé em Deus que ele logo melhora.
    Ontem ela falou tanto de você, e hoje você acordou pensando nela. Legal. Beijos e boa semana.
    Roberta Ludwig.

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  18. Ah, publicitário, me esclarece uma dúvida por favor: qual é o problema das vendedoras da Lord? Será que os donos acham legal ficar borrifando perfume na coitada da pessoa que passa ali na frente? Hoje eu gritei com uma dessas lá no Conjunto!! Fala sério, duvido que elas vendam, acho que é só para gastar frasco de perfume ruim velho encalhado. E no natal os dedinhos delas ficam mais nervosos??!!! kakakakaka
    Beta.

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  19. Beta, escrevi o texto ontem, provavelmente enquanto você falava com ela! Vou tentar passar o texto para ela ler. Não tenho a menor ideia se borrifar funciona. Eu ignoro as coitadas. E a nossa empresa? Pesquisou? Bj

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  20. Fábio, mais uma semana com teu lindo e sublime texto! E engraçado! Manuela me falou de promover um encontro do Antônio com o Nico. Penso que seria muito legal! Um beijo pra vc, pra minha xará e pro Antônio.

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  21. Oi Ana, obrigado novamente. Vamos combinar sim. Há tempo "curto" TODAS as fotos que vi do Nicolau. Precisamos conhecer esse rapaz. O Antonio na verdade era pra ser um Shitzu. Rs Mas como o casal que nos prometeu um cachorro não cumpriu a palavra, resolvemos parar de adiar e fabricar nosso próprio filhote. Um beijo.

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  22. Fábio, eu falei que ía me tornar uma leitora assídua e cá estou eu lendo mais um texto seu. Não vou fazer muitos comentários sobre shopping pq homens e mulheres nunca terão as mesmas visões. As mulheres gostam de td o que os homens detestam num shopping. Aliás vi muito do meu marido no seu texto. Mas o que eu quero mesmo é dizer que vc c/ td certeza é o melhor "brinquedo" que seu filho pode ter, não só no Natal, mas em tds os dias da vida dele. Um abraço!

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  23. Cléo, serei este brinquedo de muito bom grado. Bj

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  24. Oi, Fábio! Mesmo nestas semanas corridíssimas que tenho tido em razão da finalização da minha tese, nunca deixo de ler seus textos. Lindos, todos. Especificamente em relação a este, eu gostaria de fazer um comentário que poderia ter sido enviado por e-mail, mas que achei legal deixar aqui porque pode calhar de ser útil para mais algum leitor. Como você pode imaginar, também com a Teodora vivemos essa fase de observar a dificuldade no manuseio dos brinquedos. E pelo mesmo idêntico motivo: a tendência a manter as mãozinhas fechadas atrapalhando o desenvolvimento da coordenação motora fina. Pois bem, esta condição mudou MUITO significativamente depois que uma T.O nos ensinou a brincar com ela usando sementes de formatos e texturas variados: feijão, grão-de-bico, alpiste... Você pode arrumar uma lata (tipo de leite em pó ou achocolatado) para guardar cada tipo de grão. Pode chacoalhá-la antes de abrir em frente ao Antônio, para que o estímulo sonoro já o deixe curioso para saber o que há dentro. Depois, pode mergulhar as mãozinhas dele dentro da lata; pode deixá-lo ver você passar as sementes de um recipiente para outros (maiores ou menores) e incentivá-lo a interferir fazendo "chuvinha" de grãos sobre seus dedos; pode espalhar tudo em cima de uma mesinha e ficar simplesmente passando de um lado para outro (e isso é relaxante como um pequeno jardim japonês); pode transferir para um balde raso e colocar sob seus pezinhos descalços... enfim, o que a imaginação mandar. É uma atividade ao mesmo tempo divertida e zen que acabamos fazendo com o maior prazer - apesar da inevitável bagunça e da possibilidade de meses depois ainda se encontrar uma sementinha ou outra naquele vãozinho entre as almofadas fixas do sofá... Havendo constância (a Teodora brincou assim ao menos três vezes por semana, durante cerca de quatro meses), o resultado é surpreendente: a miudeza dos grãos desensibiliza o tato, desperta o movimento de pinça, favorece a concentração. Você vai ver que os feijões e o grão de bico vão virar para o Antônio o que as caixinhas de fósforo foram para você!

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  25. Dani, você se mantém na liderança de pessoas que me passam mais informações úteis desde o dia em que descobri seu blog. Precisamos catalogar essas experiências e tentar uma publicação. Um grande beijo.

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  26. Não comento sempre, mas passo por aqui toda semana. E esse post é sem dúvida, um dos meus favoritos até agora. Muito por te sentir mais leve - de espírito mesmo -, parte por me fazer viajar forçando a memória para resgatar minhas lembranças de infância, e também pelo sorriso delícia do Tom que eu visualizei de imediato ao saber dos aviõezinhos e de tudo mais que o faz tão feliz. Sem contar que essa queda que ele tem por barulhos, muito me favorece quando o encontrar novamente. Vou começar a ensaiar algumas músicas desde já! Amo vocês, Ludwig. Beijos nos 3.

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  27. Amamos você também. Que bom que tem vindo. Estava mais leve mesmo, mas é uma montanha russa. Um beijo.

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  28. Fabio
    Já conhecia seu blog, tinha visto link em seu FB para um texto ou outro. Mas hoje um link do Ronaldo e do Savio, para post do CCSP, me chamou a atenção e resolvi ganhar umas horas por aqui em meu dia. Fico com uma certeza: Deus escolhe filhos especiais para pais especiais!
    Parabéns pelo blog. Vou ganhar umas horas aqui toda semana a partir de agora.
    Forte abraço,
    Daniel Farias
    Ex-aluno e ex-vizinho

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  29. Obrigado Daniel. Um grande abraço

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